Thursday, December 24, 2009

Feliz Natal...

Brilhem as
Estrelas

Cantem os
Pássaros

Saim dos
casulos as borboletas e voem felizes !

Abram-se as fronteiras

Cessem as guerras

Voltem ao lar os exilados

É Natal!

Abracem-se os Amigos

Estendam-se
Mãos ao encontro de outras Mãos

Abra-se no rosto marcado pela dor, o Sorriso da Vida!

Renove-se a Esperança

Aprofunde-se a Fé em Deus e em nós
homens e mulheres

que este
universo habitam

para que o
milagre da vida aconteça a cada instante.

Que o Amor vença o medo

Que o Amor vença o cansaço

Que o Amor vença as misérias

que atormentam o corpo e a alma

e que nos liberte

de novo

e sempre!



ABrito - 2009

Saturday, November 14, 2009

Vou escrever uma história
sem interrogações, sem reticências…
Será um texto longo, com milhares de par
ágrafos e pontos finais.
Cada parágrafo, fim e recomeço, contará outras histórias,
pedaços de vida plenos de risos e de lágrimas, mas muito mais de risos.
Uma história com início bem definido
e sem final, para não ter que ser feliz ou triste.
Uma história apaixonante, com cheiros e sabores,
janelas abertas e portas hermeticamente lacradas
para fazer sofrer os curiosos… por não poderem abri-las,
e fazer rir os de almas limpas e livres.
Uma história que poderá ser lida por qualquer um
mas entendida somente por poucos,
por aqueles que entendem a verdadeira linguagem
dos desertos e suas miragens,
das estrelas e do mar,
da cor azul das misteriosas cavernas
e suas secretas passagens
que revelam a luz
e a cachoeira
de águas prateadas.

By ABrito

Thursday, November 12, 2009


Esta foto foi tirada, da janela do meu quarto, no meu primeiro dia em Nova Iorque, Estados Unidos .

Este foi também meu primeiro contato com a neve e algo muito interessante aconteceu. Neste dia, 10 de fevereiro de 2006, foi registrada a maior tempestade de neve dos últimos 20 anos na Cidade de Nova Iorque, 14 polegadas! Em geral as tempestades de neve aqui não ultrapassam 3, 4 polegadas. Foi de fato um lindo espetáculo. A mãe natureza me recepcionou muito bem, senti-me privilegiada!

Lembro que diante dessa janela, misturado ao encanto da visão prateada do inverno, eu perguntava a mim mesma: O que estou fazendo aqui? Que idéia maluca essa de vir morar tão distante do meu povo? E não sei traduzir bem o sentimento experimentado naquele momento, um misto de excitação e medo diante do novo e totalmente desconhecido.

Eu não falava inglês, as poucas palavras que eu sabia pouco me ajudavam e, na verdade, eu não “morria de amores” pelos Estados Unidos. Mas aqui estava eu, por livre e espontânea vontade.

Já se passaram quase quatro anos e continuo aqui, num Outono lindo antecipando mais um inverno frio que esta quase chegando, e com o espírito em plena primavera! Quase não acredito como o tempo tem passado rápido e como eu tenho facilmente me adaptado a esta totalmente nova experiência de vida.

Na verdade sou de fácil adaptação. Já morei, no Brasil, em diferentes cidades, além do Estreito - o Sitio onde me sinto orgulhosa de ter nascido - e em cada lugar me senti bem, adaptada, feliz. Aqui em Nova Iorque não está sendo diferente, neste sentido.

Gosto da Cidade, da pluralidade cultural, da beleza de cada estação, do Povo Americano, especialmente nossas Irmãs de Congregação. Não fosse o amor imenso que sinto por minha família, o que me faz sentir muita saudade, eu poderia viver aqui para sempre. Mas pelas experiências de vida, acumuladas do decorrer dos tempos, para sempre não consta no dicionário da minha vida! Eterno mesmo, para mim, só o Amor de Deus e a vida após esta por Ele prometida.

Não sei se terei uma vida longa, sou meio convencida que não, embora não deseje isso, mas mesmo que não tenha não poderei reclamar. Tudo o que eu tenho vivido tem me trazido muitas alegrias e sinto-me realizada e feliz como ser humano. Tenho aprendido muito com minhas experiências de vida, mesmo aquelas que resultaram em dor, e sei que tenho muito ainda a aprender e a partilhar.

Através das janelas dos meus dias quero ter a graça de ainda poder contemplar muita beleza, onde quer que eu esteja.

Deverei retornar em breve ao meu Pais, até lá tentarei viver aqui cada instante como se fosse o ultimo. Aliás, tenho me convencido cada dia mais da importância de se viver em plenitude cada momento que a vida nos oferece, pois estes passam e não retornarão jamais da mesma forma. Tenho aprendido também que não vale mesmo a pena guardar memórias que não nos façam felizes quando relembradas ou alimentar qualquer ressentimento prejudicial à nossa felicidade e que as pessoas que verdadeiramente nos amam, mesmo distantes geograficamente, não se fazem distantes e nunca, nunca nos abandonarão. E, nesse sentido, acredito na palavra jamais.

Que outras janelas me mostrem outras paisagens ou quem sabe as mesmas, revestidas de um novo tecido.

By ABrito – Novembro, 2009


Wednesday, November 11, 2009

“Amai os vossos inimigos”

Algumas pessoas costumam dizer: “Desejo aos meus oponentes o dobro do que eles a mim desejam, inclusive o mal” . Ou ainda, “Deus lhe dê em dobro tudo o que a mim deseja, inclusive o mal”.

Um dia, falando aos discípulos Jesus os questionou: “Se um filho pede ao pai um pão, o pai não lhe dará uma pedra (Mt 7, 9); se pede um peixe, não lhe dará uma serpente; se pede um ovo, não lhe dará um escorpião. "Pois, se vós que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu vos dará se o pedirem?" (Lc 11, 11-13).

Deus jamais faria mal a alguém. Ele é Amor e o Amor não deseja o mal, não faz o mal, não promove o mal. Pedir a Deus que aja a partir da nossa lógica e esperar que Ele “castigue” alguém que algum mal nos fez é desconhecer completamente a lógica do Amor, que ao sentir-se ferido apresenta a outra face, isto é, retribui com o bem.

Acontece que tudo na vida é consequente. Tudo que fazemos retorna a nós de alguma forma, não porque Deus manda de volta, mas como consequência do nosso livre arbítrio. Se fazemos o Bem, este retornará a nós; se ao contrario, fazemos o mal, este também retornará a nós de alguma maneira.

Mesmo quando a pessoa atingida não retribui com uma ação má, porque o mal por si mesmo é autodestrutivo ressoará na consciência de quem o cometeu, às vezes para sempre, como resposta a sua ação. E somente quando a pessoa perdoa a si mesma é que liberta-se, enfim, do sentimento de culpa que a atormenta, sentindo-se também livre para pedir ao outro o perdão.

Fico sinceramente indignada quando ouço alguém dizer isso ou quando diante de uma catástrofe, tentando confortar a quem sofreu a perda, diz: “Conforme-se, Deus quis assim.” Melhor que tal pessoa não dissesse nada , seu silêncio daria mais conforto e evitaria tão absurda afirmação. Por que atribuir a Deus as consequências das ações humanas? Deve-se responsabilizar quem de fato as cometeu, quem as procurou, quem as favoreceu. Não culpemos Deus por nossas insanidades e irresponsabilidades! Isso sim, acredito ser pecado.

Façamos o Bem. Desejemos o Bem, mesmo a quem nos deseja o mal. Ofereçamos ao outro o que de melhor somos e temos (“oferecer a outra face”). Isso, na verdade, é o que traduz o "Amai os vossos inimigos” (Mt. 5. 43). Deus não exige que nos submetamos à perversidade de quem nos machuca, o que Ele nos pede é que não deixemos que o outro determine as nossas ações ou reações, retribuindo com a mesma moeda. Se o que o outro tem é lixo, ofertemos-lhe flores em troca, quem sabe assim ele as prefira da próxima vez.

“Paz não significa ausência de guerra”...Paz significa vivência do Amor!

By ABrito, 2009

Thursday, November 5, 2009

Caminhão de Mudança

(Jessier Quirino)

Vai pela Estrada um caminhão repleto de mudança

Levando a herança de herdeiros de poucos herdados:

Os engradados de uma cama finalmente em pé

Arca e Noé prisioneiros desse estaqueado.

Encaixotados os tecidos, mimos e quebráveis.

E os incontáveis cacarecos soltos, remexidos.

Dois falecidos num retrato olham pra paisagem…

Guardando imagens e lembranças dos seus tempos idos.

Um velho espelho já trincado mostra o azul do céu

E o mundaréu ensolarado se faz de carona

Uma meia-lona sobreposta com o melhor arrojo

Se faz de estojo pra relíquia da velha sanfona.

Uma poltrona escancarada de pernas pra cima

Fazendo esgrima com cadeiras, bancas e tramelas

De sentinela a dois pilões de bojo carcomido

E um retorcido pe de bucha de flor amarela.

Em dois colchões almofadados dorme a bicicleta

E duas setas de uma caixa mostram dois achados:

Um emoldurado de retrato com um Jesus sereno

E o ultimo aceno de saudade de um cortinado.

Desbandeirado segue o carro rumo ao seu destino

Um peregrino pitombado de grande esperança

Vai, na boleia, um passageiro carregando sonhos

Vai, na traseira, dez carradas de velhas lembranças.

Tuesday, November 3, 2009


Árvores secas
Dias cinzentos
Olhares tristes
Túneis escuros,
Sem luz no fim.
Passos perdidos
Sem direção
Na contramão da vida.
Vidas secas
Mentes torpes
Vidas mortas
Linhas tortas… sem nada escrito.
Braços cruzados
Mentes vazias
e insencíveis…
Mãos estendidas
Vidas famintas
Sorte esquecida
Jogo perdido
sem vencedor.
Nuvens escuras
Incendiárias
Ventosidade
Fogo no ar
Corpos tombados
Lágrimas
Dor.
Ponto final
Exlamação
Vidas correndo
Em outras mãos
Vida sobrando
Vida de menos
Interrogação.

(ABrito-2009)

Sunday, October 11, 2009

Sua voz ainda ressoa, suave

Entre as paredes do templo

Mas ali ja nao te encontras.

No velho piano, desafinado pela poeira dos solitarios dias,

Alguem dedilha uma plangente melodia .

Sem plateia,

Sem aplausos,

Sem vozes a entoar um canto,

o velho piano silencia,

amargurado e triste

pelo pesar da ausencia.

A voz que lhe aquecia a alma

Partiu silente e traicoeira

sem um palavra

sem um adeus de despedida

sem um ultimo acorde

sem uma cancao derradeira.

Partiu pra nunca mais voltar

como partem os que se cansam

de cantar a mesma cantiga.

E na pressa de partir

Nao conseguiu sentir

Que ali ficava

sobre um teclado emudecido

um coracao

despedaçado e emudecido.

ABrito-2009.

Saturday, October 3, 2009

Parece foi ontem

Que a gente nasceu…

O tempo passou

E a gente nem viu…

E a gente cresceu

E a gente mudou

Mas o que viveu…

Nunca se apagou.

Sempre vou lembrar

Da infancia vivida.

Toda nossa vida

Foi plena e feliz

Mas aquele tempo

Foi o que marcou

Foi o que deixou

Melhores lembranças…

Hoje ja crescidos

Com marcas do tempo

No corpo e na alma

Trazemos nas palmas

Das maos estendidas

Nossa ação de graças

Ao Senhor da Vida

Por sermos felizes

Por sermos Familia.

Mesmo a distância

Que hoje separa

Cada um de nós

Nada significa

Pois os corações

Continuam unidos

Atados com nós

Nunca destruidos!

Parabens, Irmão

Do meu coração

Ao seu, com Amor

Minha gratidão

E a certeza plena

Da felicidade

de sermos irmãos

de Fé, de Verdade!

ABrito – 2009 – Já celebrando o dia que, com a sua chegada, o mundo ficou mais feliz!

Saturday, September 26, 2009

Essas velhas ruínas já foram um lar.

Já abrigaram pessoas felizes. Já foi escola. Já foi espaço onde a poesia enfeitava as noites, à luz da lua e das estrelas. Essas ruínas já abrigaram sonhos e guardaram segredos.

Já foram a nossa Casa, o aconchegante lugar onde eu nasci e onde todos nós crescemos.

Era uma casa bonita, grande, de paredes sólidas e altas. Para mim a mais bonita de todas, lugar onde nos sentíamos seguros, ao lado dos nossos Pais.

Nossa casa estava sempre cheia de gente. Além dos primos que moravam conosco ou vinham nos visitar vez em quando, havia sempre algum outro parente, amigo, vizinho ou vizinha a nos fazer companhia.

Era de verdade o lugar onde havia alegria, onde nos sentíamos felizes.

Hoje nada mais existe, nem mesmo as ruínas. Esta unica parede nao suportou mais, a velha Casa despediu-se da vida, ao despedir-se de nós. Sentiu-se só, como se sentem sós as pessoas ao verem os amigos partirem, e não resistindo às intempéries, desabou.

São muitas lembranças, memórias que serão guardadas para sempre e revividas cada vez que recordamos os anos que ali vivemos. Essas lembranças não serão destruídas. Enquanto existirmos, estarão conosco. São raras, preciosas, indestrutíveis, pelo valor que guardam em si mesmas. Elas representam a história da nossa Vida, da nossa Família.

Neste lugar, antes nosso Lar, aprendemos com nossa Mãe que também foi nossa primeira Professora, a desvendar o universo das palavras e das ciências. Aqui nossos Pais semearam em cada um de nós sementes de Vida, de Sabedoria e de Fé.

No alpendre da casa ou à sombra da velha tamarineira a nossa avó materna aguçava a nossa curiosidade infantil, contando-nos histórias do passado. Ainda hoje lembro o brilho dos seus olhos e o inconfundível cheiro do seu cachimbo. Guardamos dela doces lembranças.

Recordo cada momento que ali vivi. Posso ainda ouvir os sons, o tom das vozes, ver as cores, sentir o cheiro das frutas frescas na cozinha ou no armazém; o cheiro do queijo feito todos os dias e guardado na despensa; o cheiro dos animais que pastavam ao lado, no terreiro da casa.

Essa Casa foi o lugar onde tudo o que somos começou a existir, e lá nossa lembrança retornará sempre, pois ali estarão para sempre as nossas raízes.

Assim entendo que mesmo quando tudo está aparentemente destruído, quando já não existe um sinal sequer de algo que já foi concreto, é possível se reviver tudo e sentir de novo a mesma alegria de antes.

Se de fato, alguma coisa teve significado e fez diferença na nossa vida, nunca será esquecida. Nada será capaz de destruir a memória dos tempos felizes.

Essas memórias ficam entranhadas na nossa carne, no nosso sangue e mesmo se perdermos a noção de tudo elas continuarão circulando nas nossas veias, alimentando nosso espírito até que também não haja um único sinal de nós, na terra onde um dia existimos.

ABrito-Setembro 2009

Wednesday, September 23, 2009

Moço engraçado

Do nariz vermelho

Através do espelho

Que o mundo contempla

Cria, reinventa,

Uma nova alegria

E assim cada dia

Renova-se por dentro

Sem contar o tempo

Que tem pra viver.

Praticando o “ócio

da imaginação”

No “circo da vida”

foge ao padrão

do senso comum…

Em frente ao balcão

Seu livre pensar

Fecunda a razão

E espalha no chão

Sementes de Vida.

Moço iluminado

Que um dia entendeu

Que pra ser feliz

Precisa esquecer-se

E nos outros pensar…

Pois felicidade

Só tem quem aprende

Do outro cuidar.

No circo da vida

Isso chama-se: Amar!

By ABrito – Setembro 2009

Ao Palhaço Iluminado, Kin . Em antecipação ao dia que não precisa ser celebrado num só dia!

Sunday, September 20, 2009

Chega o outono, a estação multicolorida, de clima ameno e ventos brandos.

Os dias longos de verão se tornam mais curtos, embora ainda cheios de brilho, e agora de cores.

Uma beleza cujo esplendor não durará mais que poucos dias, quando enfraquecidas e amareladas as folhas todas cairão, mas suficiente para dar uma festa ao olhar cada vez que a contemplamos.

Vale a pena caminhar pelas ruas, estradas e parques banhando os olhos na mais original pintura nunca antes produzida em outra tela que não seja a face da natureza.

É delicioso sentar-se no banco de uma praça observando a dança das folhas ao caírem , formando um imenso tapete onde repousará a saudade, fruto de tantas e tantas lembranças de um verão que passou.

É prazeroso perceber a delicadeza com que o vento toca os galhos das árvores, como que roubando-lhe um beijo, ganhando em troca as douradas folhas com as quais ornamentará o chão por onde passar.

O vermelho-alaranjado das folhas dá um tom de realeza à natureza vaidosa, que ao contemplar-se no espelho das águas deixa realçar o lirismo de sua poesia e do seu encantamento.

O esplendor das folhas, a delicia dos frutos, a suavidade do clima, escondem a sua fragilidade ao preparar-se para o inverno com seus dias escuros, frios e melancólicos e transformam a perda em gesto de total despojamento e doação, a nos ensinar que nas perdas muitas vezes estão escondidos ganhos.

Ao perderem as folhas, as árvores desnudas estarão prontas para receberem os ventos frios, a neve e o gelo que lhe adornarão os galhos até a primavera.

É a natureza pronta para um novo ciclo de renovação. É a vida a atualizar-se, acolhendo o novo, o diferente, o inevitável.

Que as cores e os sabores outonais reavivem nosso desejo de viver a intensidade e a plenitude de cada momento, como se o para sempre nunca tivesse fim.


ABrito-2009

Friday, September 18, 2009

Meus escritos são meus pensamentos desenhados no papel.

Nem sempre encontro as palavras exatas para traduzi-los, mas nem sempre há exatidão em tudo… Existe significado também nas entrelinhas…

São textos simples, não poderia ser diferente, pois a simplicidade é parte de mim e está entranhada na expressão do meu ser, em minhas virtudes e em minhas imperfeições.

Não me inspiro na religião, na teologia e não faço desse espaço o meu espaço de oração. Minha relação com Deus não cabe em palavras, é algo muito especial que se concretiza na sintonia do meu coração com o coração de Deus. São experiências muito pessoais, escritas com letras invisíveis...

Também não tenho receitas, nem as quero. Deus já nos revelou claramente que Ele é o “Caminho, a Verdade e a Vida” e esta é a Verdade em que acredito. Não creio na mágica das correntes. Tenho meu jeito próprio de expressar minha fé.

Religião e Teologia deixo por conta dos estudiosos dessas áreas, que inspirados por Deus cumprem a sua missão. Não me arvoro em querer explicar os mistérios da Fé. Para mim, viver e testemunhar o que creio me basta.

Também não me envolvo com questões de ordem política, muitas pessoas já o fazem e muito bem. Preservo minha sanidade e voto em quem acredito. Atribuo à falta de educação política do nosso Povo as consequências decorrentes da escolha de políticos corruptos, descomprometidos com o bem da sociedade. Todos vemos os resultados e mesmo assim continuamos mantendo, com o voto que por sinal é livre, um sistema extremamente cruel, injusto e desonesto.

Basta olharmos o Senado, por exemplo, quantos escândalos, previsíveis, pois lá são colocados alguns políticos que já demonstraram sua “performance” em cargos anteriores.

Por isso e mais que isso me dou o direito de não me envolver nesse lamaçal, sem me sentir omissa ou descomprometida com os meus princípios e valores existenciais.

Preservo ao menos a minha paz interior e assim consigo manter a alegria de ser, de viver e de conviver.

O que penso e escrevo, portanto, são traços do que eu sou: Imperfeita, incoerente, mas o que Sou, simplesmente.

By ABrito-2009

Tuesday, September 15, 2009

O Menino

O sino da pequena Igreja tocou às 5 da manhã, acordando o povoado inteiro. O sol já começa a preparar o novo dia. As folhas e flores orvalhadas se despendem da madrugada fria e esperam ansiosas os primeiros raios de sol. O menino, ainda sonolento, caminha com seus passos lentos em direção ao ponto do ônibus que o levará até a escola. Ele não sabe ao certo porque tem que ir. Preferiria estar em casa, ou na rua, correndo nas calçadas e becos, conversando com o verdureiro, com o moço da mercearia, jogando bola com os amiguinhos e assoviando pra menina que lhe faz sentir o coração bater mais forte, cada vez que lhe sorri daquele jeito tímido e encantador.

“Não sei para quê que inventaram Escolas”, pensa o menino. Ele tem apenas 8 anos e nem aprendeu ainda a fazer a conta de quantos anos ainda tem que ir à escola até tornar-se o que seus familiares querem que ele seja. Na verdade ele nem sabe o que é que eles querem que ele seja. Não está preocupado com isso, o futuro parece algo tão distante, tão incerto. Tudo o que ele sabe não cabe dentro de um amanhã, é suficiente para encher de vontade de viver o agora, de correr pelas ruas, de banhar-se no rio, de colher os frutos maduros da goiabeira e de assoviar pra menina dos seus sonhos.

Na noite passada ele viu na TV soldados morrendo na guerra, tempestades destruindo cidades inteiras, fogo devorando campos inteiros, crianças de olhares tristes chorando a falta da Mãe que não voltou pra casa com o pão que prometeu. “Pra que escola”, pensa de novo o menino... Ele lembra muito mais das histórias contadas pelo avô, pelo guarda da praça, pela mulher que ajuda sua Mãe nos afazeres da casa, do que das lições de sua linda e adorável professora. Ele se entusiasma muito mais vendo o rio a correr, os pássaros a voar, as flores a desabrochar, a árvore a oferecer gratuitamente seus deliciosos frutos...do que com os deveres de matemática, de ciências e de todas as demais matérias ensinadas pelas lindas e adoráveis professoras.

O ônibus chega, o menino volta à realidade, chega à escola e ao entrar na sala avista as mesmas carteiras enfileiradas, o quadro-negro ao centro da parede da sala, a linda e adorável professora e seus colegas, todos eles com a mesma cara de bobo que ele viu, ao acordar, no espelho de sua casa, ao preparar-se para ir à escola.

Um dia quando eu crescer, pensa o menino, vou ficar em casa o dia inteiro. Vou brincar com meus amigos, correr pelas ruas e becos, vou banhar-me no rio, vou ouvir as histórias do meu avô, do homem da mercearia, da moça que ajuda nos afazeres lá de casa. Vou colher os frutos da goiabeira, cantar com os pássaros e assoviar pra menina de riso bonito que me encanta com seu doce olhar... Ah, mas não vai ter a mesma graça...já não serei mais o que eu queria ser: Um menino!

E volta pra casa, cansado e com mil deveres pra fazer.

ABrito - 2009

Friday, September 11, 2009