Sunday, September 5, 2010

ABrito
(Aos meus amigos Liz e Thiago)


Monday, August 30, 2010



Noites
Dias
Quase o mesmo
Sempre…

E o menino corre
Pela vida
Contando estrelas
Tropecando em pedacos de sol
Dancando ao vento…

Ao fim da rua
exausto
Tenta um olhar por cima da murada
Da velha casa em ruinas

Mas a lua, ainda menina,
Ja sumiu por entre as densas nuvens
Da noite escura
Silenciosa e
Triste.

E o menino
Como sempre
Retoma o mesmo caminho
De volta
Assobiando a cantiga
Que para ele
Ninguem jamais cantou.

E seguem-se
As noites
Os dias
Quase o mesmo
Sempre.

ABrito

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Monday, August 23, 2010


A essa vida
E  muito
Tenho navegado
As vezes a nado
Mesmo…

Sem barco
Sem bussola
Sem medo.

Rio que me leva
Rio que me traz
De volta …
Recomeço.

Rio que margeia
Minha vida
Por todos os lados
Rio que passa
Contornando pedras.

Vida-Rio
A favor
Ou contra- corrente
Buscando vertentes
Entre declives e pendentes.

Rio que busca o Mar.
ABrito 2010

Sunday, July 18, 2010


Havia um tempo
Em que nem o tempo
Nem a distancia
Contavam
E passaros
Voavam felizes
Por entre nuvens densas
Ou aquecendo-se
 Ao Sol...

E nunca,
Nunca desistiam
Ou se cansavam de cantar
Uns para os outros.

Havia um tempo
Em que o tempo era preciso
E precioso.

(ABrito)

Friday, June 18, 2010



Por onde eu passei
Sonhos espalhados
Nos jardins sem flores
Nas noites sem luar
Sonhos vestidos de sol
E de solidão
Sonhos tecidos
Em tecidos rotos
Sonhos acalentados
Pela música do vento
E aquecidos ao calor do verão
Em pleno inverno.
Sonhos desfeitos
Rarefeitos…
Por falta de esperança.
Sonhos refeitos
Mas para sempre adormecidos.

(ABrito)



Ninguem te sorriu do mesmo jeito
Nem contou histórias engraçadas
Para alegrar as suas tardes tristes
Depois daquele dia
Ninguem estendeu ao chão
Um outro tapete de flores
Nem perfumou suas manhãs
Com o cheiro agreste
Das flores do campo
Depois daquele dia
Os pássaros esqueceram o canto
E o olhar plangente das estrelas
Apagou com suas lágrimas
O brilho da lua.
Depois daquele dia
As manhãs nunca mais foram as mesmas.

(ABrito)



O tempo não foi perdido

Mas esquecido foi
Se valeu,
Não perdurou
Não subsistiu
Não resistiu ao vazio da ausência...
O que ficou
Se ficou
Não foi bastante
E inevitavelmente
Extinguiu-se
Como se extingue o cansaço
Como se extingue o medo
Como se extingue a dor
Como se extingue o amor,
Se amor não há.
E mesmo as lembranças
Um dia serão extintas
Uma a uma
Sem mágoa
Sem dor.


Juma Luna

Saturday, May 29, 2010

Entre um abismo e outro


Uma ponte quebrada


Silêncio estéril


Vazio


Abismo...


Mais nada.


ABrito 2010




Procuro alguém que se perdeu

De mim

Alguém que não sei o nome

Nem a cor dos olhos

Corpo vazio

Sem alma...


Procuro alguém

Sem nome

Sem endereço

Sem apreço

Por ninguém

Sem vida...


Procuro alguém

Na escuridão da noite

No vazio do pranto emudecido

Na tempestade das mutiladas lembranças

No abismo do inexplicável...


Procuro alguém

Que se perdeu de si

No insondável mistério

do silêncio mudo

de sua mente insana.


Alguém que não quer se encontrar

E que ninguém jamais

Encontrará.


ABrito 2010


Saturday, April 10, 2010


Sou poema
Sou a pena
Que escreve
Na areia ...
Sou a chama
Que incendeia.
Sou o vento
Que apaga
Sou a brisa
Que acalma
Sou a alma...
Sou coragem
Sou o medo
Sou o segredo
Sou paisagem
Sou abismo
Sou miragem
No deserto de uma vida...
Sou a força
E a fraqueza
Sou chegada
Sou partida
Sou na Vida
Simplesmente
O que Sou.


ABrito 2010


Wednesday, April 7, 2010

...Então não diga nada

Deixe na estrada o que restou do tempo.

Junte os pedaços ...

A vida precisa de espaço

Para renascer,

Para florir outra vez.

Não tente dizer

O que já não faz sentido,

O que nada mais traduz.

Deixe que a solidão da espera

Seja preenchida pela escuridão da noite

Quando todas as estrelas estiverem dormindo

E a lua, cansada, escondida atrás

Das nuvens de poeira

Nada ilumine....

Que seja noite

e que a gente possa,

enfim,

recostar a cabeça no berço do silêncio

e adormecer por um instante.

Não diga nada

Deixe que o sonho

escreva uma nova história.

ABrito 2010



Tuesday, March 9, 2010

“Amizade é o Amor que nunca morre”, mas como tudo que existe, precisa ser cuidada, alimentada, nutrida. Se a negligenciamos, enfraquece e poderá morrer. É o custo que a indiferença nos onera.
Mesmo a boa semente, plantada no melhor terreno, precisa ser cuidada, regada, fertilizada, do contrário fenece antes mesmo de florescer.
O alimento da Amizade é o Amor que se expressa nas palavras, nos gestos, no silêncio, na partilha, na soma das singularidades, na aceitação mútua, no respeito às diferenças.
Amigos poderão estar unidos sempre, mesmo nas mais longas distâncias, mas amizade alguma resiste ao silêncio mudo de uma longa e inexplicavel ausência.
É possível entender e aceitar a ausência de comunicação por um certo período de tempo, mas com o tempo o mutismo vai gerando dúvidas, vai descolorindo o sentimento e aos poucos o Amor vai morrendo, até que evapora e desaparece, inevitavelmente.

ABrito/ 2010

Saturday, February 13, 2010

Esclarecimento:
Não me importo se alguém copia o que eu escrevo,
só exijo que respeitem os direitos autorais não atribuindo a outros e/ou anônimos o que escrevi e assinei, combinado?

Wednesday, February 10, 2010

Colheita Feliz

A Vida nos proporciona oportunidades que nunca se repetem e por isso devemos estar atentos às mesmas, para que não se percam no labirinto da nossa existência.

São muitas as experiências que vivenciamos e muitas as aprendizagens que adquirimos em cada uma delas. Algumas resultam em alegrias e satisfações que guardamos conosco pela vida inteira; outras, no entanto, esquecemos facilmente e outras não esquecemos, mas evitamos relembrar.

Hoje, jogando “Colheita Feliz” recordei momentos de minha vida que não quero esquecer jamais. Momentos de pura alegria e de imensa riqueza. Momentos que ficaram gravados a ouro em minha memória e que tenho certeza contribuíram para o meu aperfeiçoamento humano como tantas outras experiências no seio da minha família e no convívio com os meus amigos e amigas de infância, adolescência e juventude.

As pequenas coisas, os mais simples e mais sutis gestos de amor e de solidariedade me encantam e me enchem de verdadeira alegria. Fico para sempre agradecida quando percebo e sinto nas atitudes mais simples das pessoas a gratuidade e gentileza que só o Amor pode nos proporcionar. E nesse sentido tenho tantas boas memórias!

Ao jogar o “Colheita Feliz” recordei pessoas com as quais partilhei momentos inesquecíveis , momentos simples e de uma beleza infinita. O cenário, a casa da minha prima Chaguinha, no Sítio Poço dos Cavalos onde eu sempre passava as minhas férias. Uma pessoa tão querida, mais, muito mais que uma prima, uma irmã, uma mãe, uma amiga, uma mestra. Uma casa cheia de crianças, a Vovó sempre por lá com suas histórias engraçadas, seu cachimbo sempre limpinho e sua xícara de café quase sempre cheia, ou sentada numa cadeira no alpendre da casa, com aquele seu olhar às vezes absorto, como que querendo trazer de volta um passado já distante.

Havia também ali a minha prima Lindóia, uma pessoa muito amada, linda, talvez a pessoa mais tranqüila que encontrei até hoje; a Zezinha, a Babil a Dona Julieta, o Francisco o cawbói que paquerava todas as meninas acima de dez anos, o Tutuá, marido da Chaguinha as onze crianças que geraram e muitas outras pessoas que faziam daquele lugar um verdadeiro oásis de paz e de vida.

Quase todas as tardes após o almoço nós ficávamos, Chaguinha, Lindóia e Eu, sentadas em volta da mesa brincando de “fazendeiras”, comprando e vendendo vacas e bois, uma alegria só.

Lembro o cheiro do “leite ferrado” com mastruz e ‘ipepaconha” (era assim que a gente chamava, até hoje não sei o verdadeiro nome daquela erva), do queijo feito ali mesmo, dos melões, da terra molhada pela chuva, dos banhos na barragem, do sabor das mangas fresquinhas que colhíamos “no pé”, enfim, da vida que brotava e florescia em cada recanto daquele paraíso.

Foi assim dos meus 7 aos 14 anos, todos os anos eu estava lá. Entre essas memórias existem muitas outras e muitas outras mais, inesquecíveis igualmente.

Mas o tempo passou e as opções que fiz na vida me distanciaram daquele lugar e daquelas pessoas amadas que tanto bem me fizeram. Mas a distância é apenas física, pois no meu coração e na minha memória essas felizes experiências nunca se apagaram e sou imensamente agradecida a Deus por Ele ter me proporcionado tudo isso.

Sinto saudades e sei que jamais viveremos o mesmo da mesma forma, mesmo que nos encontremos no mesmo lugar, porém o que foi vivenciado é relembrado sempre na exata forma como aconteceu. Foi a mais linda e mais “Feliz Colheita” que fizemos!

ABrito - New York - 10/02/2010

Saturday, January 30, 2010

Paz...

A gente quer a Paz

Porem nem sempre somos Paz.

Vida...

A gente quer viver

Porem nem sempre se vive

como se quer viver.

Felicidade...

A gente quer ser Feliz

porem, às vezes esquece, quer para ser feliz

fazer feliz necessario é.

Amor...

Amados todos queremos ser

porem nem sempre amamos quem mais amado deveria ser.

Sucesso...

muitos querem alcançar

mas trabalhar...nem sempre.

Realização...

tambem se quer buscar

porem as vezes nem se sabe o quê.

Palavras, Palavras, Palavras!

E o vento sorrateiro as varre

por nao encontrar nelas sentido algum.

E a gente vai vivendo

Um a Um

entre sonhos azuis e

laços cor-de-rosa.

ABrito-2010

Saturday, January 23, 2010

Nada ficou, alem da noite escura

e das nuvens cinzentas.

A lua que desenhei

com o gelo que a ausência espalhou no árido chão

não brilhava como as tantas que vi nascer.

Recolhi os pedaços dos sonhos

e à última flor

contei os meus segredos,

antes de atirá-la ao vento.

Já não se ouvia a canção

das estrelas

nem o sorriso iluminado do sol apareceu.

Tudo se perdeu

no vazio da noite

que nunca teve fim.

As cinzas do poema

embaçaram meu olhar

e nada consegui ver

ou escrever...

Já nem caderno há,

nem nome pra riscar,

o tempo que passou soprou o chão

as palavras se desmancharam

e as lembranças também se perderam.

...Enfim percebi que eu podia voar!

by ABrito

(ao amigo que reaprendeu a recomeçar.)