Entre um abismo e outro
Uma ponte quebrada
Silêncio estéril
Vazio
Abismo...
Mais nada.
ABrito 2010
Keep Going...não desanime, não desista, focalize seus objetivos, suas metas, mantenha-se firme na decisão de buscar o que você acredita e quer.
De mim
Alguém que não sei o nome
Nem a cor dos olhos
Corpo vazio
Sem alma...
Procuro alguém
Sem nome
Sem endereço
Sem apreço
Por ninguém
Sem vida...
Procuro alguém
Na escuridão da noite
No vazio do pranto emudecido
Na tempestade das mutiladas lembranças
No abismo do inexplicável...
Procuro alguém
Que se perdeu de si
No insondável mistério
do silêncio mudo
de sua mente insana.
Alguém que não quer se encontrar
E que ninguém jamais
Encontrará.
ABrito 2010
Deixe na estrada o que restou do tempo.
Junte os pedaços ...
A vida precisa de espaço
Para renascer,
Para florir outra vez.
Não tente dizer
O que já não faz sentido,
O que nada mais traduz.
Deixe que a solidão da espera
Seja preenchida pela escuridão da noite
Quando todas as estrelas estiverem dormindo
E a lua, cansada, escondida atrás
Das nuvens de poeira
Nada ilumine....
Que seja noite
e que a gente possa,
enfim,
recostar a cabeça no berço do silêncio
e adormecer por um instante.
Não diga nada
Deixe que o sonho
escreva uma nova história.
ABrito 2010
A Vida nos proporciona oportunidades que nunca se repetem e por isso devemos estar atentos às mesmas, para que não se percam no labirinto da nossa existência.
São muitas as experiências que vivenciamos e muitas as aprendizagens que adquirimos em cada uma delas. Algumas resultam em alegrias e satisfações que guardamos conosco pela vida inteira; outras, no entanto, esquecemos facilmente e outras não esquecemos, mas evitamos relembrar.
Hoje, jogando “Colheita Feliz” recordei momentos de minha vida que não quero esquecer jamais. Momentos de pura alegria e de imensa riqueza. Momentos que ficaram gravados a ouro em minha memória e que tenho certeza contribuíram para o meu aperfeiçoamento humano como tantas outras experiências no seio da minha família e no convívio com os meus amigos e amigas de infância, adolescência e juventude.
As pequenas coisas, os mais simples e mais sutis gestos de amor e de solidariedade me encantam e me enchem de verdadeira alegria. Fico para sempre agradecida quando percebo e sinto nas atitudes mais simples das pessoas a gratuidade e gentileza que só o Amor pode nos proporcionar. E nesse sentido tenho tantas boas memórias!
Ao jogar o “Colheita Feliz” recordei pessoas com as quais partilhei momentos inesquecíveis , momentos simples e de uma beleza infinita. O cenário, a casa da minha prima Chaguinha, no Sítio Poço dos Cavalos onde eu sempre passava as minhas férias. Uma pessoa tão querida, mais, muito mais que uma prima, uma irmã, uma mãe, uma amiga, uma mestra. Uma casa cheia de crianças, a Vovó sempre por lá com suas histórias engraçadas, seu cachimbo sempre limpinho e sua xícara de café quase sempre cheia, ou sentada numa cadeira no alpendre da casa, com aquele seu olhar às vezes absorto, como que querendo trazer de volta um passado já distante.
Havia também ali a minha prima Lindóia, uma pessoa muito amada, linda, talvez a pessoa mais tranqüila que encontrei até hoje; a Zezinha, a Babil a Dona Julieta, o Francisco o cawbói que paquerava todas as meninas acima de dez anos, o Tutuá, marido da Chaguinha as onze crianças que geraram e muitas outras pessoas que faziam daquele lugar um verdadeiro oásis de paz e de vida.
Quase todas as tardes após o almoço nós ficávamos, Chaguinha, Lindóia e Eu, sentadas em volta da mesa brincando de “fazendeiras”, comprando e vendendo vacas e bois, uma alegria só.
Lembro o cheiro do “leite ferrado” com mastruz e ‘ipepaconha” (era assim que a gente chamava, até hoje não sei o verdadeiro nome daquela erva), do queijo feito ali mesmo, dos melões, da terra molhada pela chuva, dos banhos na barragem, do sabor das mangas fresquinhas que colhíamos “no pé”, enfim, da vida que brotava e florescia em cada recanto daquele paraíso.
Foi assim dos meus 7 aos 14 anos, todos os anos eu estava lá. Entre essas memórias existem muitas outras e muitas outras mais, inesquecíveis igualmente.
Mas o tempo passou e as opções que fiz na vida me distanciaram daquele lugar e daquelas pessoas amadas que tanto bem me fizeram. Mas a distância é apenas física, pois no meu coração e na minha memória essas felizes experiências nunca se apagaram e sou imensamente agradecida a Deus por Ele ter me proporcionado tudo isso.
Sinto saudades e sei que jamais viveremos o mesmo da mesma forma, mesmo que nos encontremos no mesmo lugar, porém o que foi vivenciado é relembrado sempre na exata forma como aconteceu. Foi a mais linda e mais “Feliz Colheita” que fizemos!
ABrito - New York - 10/02/2010

Paz...
A gente quer a Paz
Porem nem sempre somos Paz.
Vida...
A gente quer viver
Porem nem sempre se vive
como se quer viver.
Felicidade...
A gente quer ser Feliz
porem, às vezes esquece, quer para ser feliz
fazer feliz necessario é.
Amor...
Amados todos queremos ser
porem nem sempre amamos quem mais amado deveria ser.
Sucesso...
muitos querem alcançar
mas trabalhar...nem sempre.
Realização...
tambem se quer buscar
porem as vezes nem se sabe o quê.
Palavras, Palavras, Palavras!
E o vento sorrateiro as varre
por nao encontrar nelas sentido algum.
E a gente vai vivendo
Um a Um
entre sonhos azuis e
laços cor-de-rosa.
ABrito-2010

Nada ficou, alem da noite escura
e das nuvens cinzentas.
A lua que desenhei
com o gelo que a ausência espalhou no árido chão
não brilhava como as tantas que vi nascer.
Recolhi os pedaços dos sonhos
e à última flor
contei os meus segredos,
antes de atirá-la ao vento.
Já não se ouvia a canção
das estrelas
nem o sorriso iluminado do sol apareceu.
Tudo se perdeu
no vazio da noite
que nunca teve fim.
As cinzas do poema
embaçaram meu olhar
e nada consegui ver
ou escrever...
Já nem caderno há,
nem nome pra riscar,
o tempo que passou soprou o chão
as palavras se desmancharam
e as lembranças também se perderam.
...Enfim percebi que eu podia voar!
by ABrito
(ao amigo que reaprendeu a recomeçar.)

Palavras não dizem tudo
Quando tentam dizer, nada dizem...
O essencial em geral está por trás delas
ou nas entrelinhas invisíveis do não dito.
Palavras quase sempre estragam a mágica beleza do silêncio...
Prefiro a linguagem do olhar
Silenciosa e sábia; plena e lúcida.
Palavras, ferem.
A eloquência do silêncio, cura.
Somente quem aprende a ver o que as palavras não dizem
é capaz de conhecer e de Amar.
ABrito

SILÊNCIOS
De silêncios se veste a minha Alma
Silêncios de todas as cores (silêncios, se silêncios, tem cor)
Azul, quando relembra os sorriso dados e recebidos
Verde, quando os encontros são recordados, como fotografias perfeitas de momentos inesquecíveis.
Roxo, ao lembrar os desencontros e as longas e intermináveis esperas...
Cinza, ao sentir de novo a morna lágrima descida, feito rio, no rosto marcado pela dor..
Marrom, ao recolher os pedaços do coração atingido pela indiferença.
Amarelo, quando de novo sente as angustias das frustrações e das perdas
Laranja, ao contemplar feliz as tantas alegrias vividas e partilhadas
Vermelho, ao sentir o pulsar da Vida renovando-se a cada instante
e de novo Azul, sua preferida cor, ao sentir-se amada, plena, transbordando Amor.
Minha Alma pinta a minha vida, quase sempre de Azul, Verde, Laranja e Vermelho
e os seus silêncios, como notas tocadas pelo vento,
fazem dançar felizes as ondas do mar,
a lua e as estrelas do Céu Azul que lhe revestem e lhe alimentam!
ABrito

O tempo passa mais rápido do que às vezes queremos… alguns dias bem que poderiam ser mais longos; outros, nem tanto. Mas o fato é que o tempo está passando rápido demais. Um dia desses desejávamos Feliz 2009, e na ocasião não fazíamos a menor idéia do que iria acontecer durante o ano. Cada novo ano é assim, nunca sabemos como vai ser e sempre desejamos que seja o melhor de todos!
Eu gostei do ano que ora termina. Foi um bom ano, apesar da minha agonia com o meu visto se vencendo… Graças a Deus na véspera do Natal recebi a extensão do mesmo. Nada pior do que pensar na possibilidade de ficar ilegal num País estrangeiro… redundante esta minha afirmação, pois não se fica ilegal no País de origem. No País de origem fazemos coisas ilegais, mas como ilustres cidadãos!
Conheci novas pessoas, novos lugares, vi muita coisa bonita de se ver, realizei alguns sonhos como ver o Fantasma da Ópera na Broadway , mais uma vez o Show de Natal no Radio City e mais uma apresentação do Circo de Soleil entre outras coisinhas mais. Porém nada foi melhor, mais festivo e mais feliz do que reencontrar a família e os amigos nas cinco semanas de férias que gozei no meu País e mais ainda, a Celebração dos 80 anos de minha Mãe e dos meus 50 anos, em Caicó, com toda a minha família e com amigos muito especiais os quais eu não havia me encontrado há anos. Outra alegria imensa foi, na mesma ocasião, conhecer minha mais nova sobrinha, a Luisa. Alegrias assim não imensuráveis e alimentam a alma da gente a vida inteira.
Agora é esperar 2010 e acolhê-lo com a mesma vontade de que seja um ano bom. E além do desejo de que seja bom, o firme propósito de torná-lo um ano bom. Tudo que há por vir virá em consequência de nossas ações e das ações das outras pessoas. Não basta termos boas intenções, o desejo só também não basta. É preciso, antes de qualquer coisa, querer algo novo, diferente, saudável, feliz e se dispor a agir de forma a realizar os desejos e sonhos. Ou, não fazer nada e nada de novo ver acontecer como se quer e assim, aceitar perder o direito de reivindicar.
Depende de cada um e cada um significa muito!
Desejo mesmo é que tenhamos saúde e lucidez para criarmos oportunidades e aproveitar as oportunidades para realizarmos o melhor para o mundo inteiro. Luz para enxergarmos os caminhos e os atalhos que encurtem as distâncias entre nós. Para a distância geográfica há soluções, mas para as distâncias que dividem as pessoas e nos tornam estranhos uns para os outros, ainda precisam ser procuradas. E é urgente que isso aconteça.
Desejo também que nos libertemos dos sentimentos mesquinhos que nos tornam pequenos e aprendamos a conviver com a diferença, a respeitar as idéias de cada um e suas opções de vida, sem ter que julgar ou condenar quem quer que seja. Aprender a buscar a unidade na diversidade, compreendendo que o que o outro é ou faz não anula o que somos e fazemos. Somos únicos, porém necessitamos da singularidade do outro para que a sinfonia da vida esteja completa.
Feliz Ano Novo. Que Deus abençoe a todos e a cada um de nós!
Há dois mil anos, quando Jesus nascia em Belém, seus Pais não encontraram, nas hospedarias da cidade, um lugar onde Maria pudesse trazer à luz o seu Filho.
Não havia lugar para o Menino-Jesus no mundo sócio-politico-religioso daquela época. Apenas numa estrebaria nos arredores da pequena cidade seus pais encontraram um lugar aconchegante para acolhê-lo.
Talvez se as pessoas soubessem quem era Jesus, alguém tivesse oferecido a suíte real da melhor hospedaria. Mas, não era isso que Jesus precisava ou queria. Ele queria mesmo nascer, estar entre seus conterrâneos, aprender a cultura de sua gente, partilhar a vida e os costumes de sua pátria aqui na terra.
E foi ali, naquele lugar simples, desprovido de realeza que o Rei pode contemplar pela primeira vez o rosto da humanidade à qual assumia naquele mágico momento.
Tamanha foi à alegria dos pastores ao perceberem que na escuridão daquela noite fria uma Luz, nunca antes vista, brilhava ao som da melodiosa canção dos anjos.
E chegaram os Reis do Oriente com presentes para o Rei dos reis...
Passados tantos anos a pergunta continua a mesma: Há lugar para o Menino-Jesus, cujo Natal celebramos com tanta divulgação e festa, no atual contexto sócio-político-religioso? Há lugar para o Menino-Jesus na vida de cada um de nós? Estamos preparados para receber em nosso meio o Messias? Estamos dispostos a acolher a Sua mensagem e assumir em nossa vida a proposta que Ele nos trouxe? Estamos preparados para acolhê-lo na pessoa de cada irmão, independentemente de sua raça, posição sócio-cultural, estilo de vida, crença, ideologia, enfim, diferente e único em seu modo de ser e de viver? Estamos dispostos a nos tornar discípulos do Mestre?
Ainda há tempo...Podemos assumir uma nova atitude ou assumir a postura do dono da hospedaria e dizer a quem nos procura: “Deixe-me em paz, não há mais lugar”. A Escolha é nossa.
ABrito - 2009, na mahã do Natal
Feliz Natal...
Brilhem as
Estrelas
Cantem os
Pássaros
Saim dos
casulos as borboletas e voem felizes !
Abram-se as fronteiras
Cessem as guerras
Voltem ao lar os exilados
É Natal!
Abracem-se os Amigos
Estendam-se
Mãos ao encontro de outras Mãos
Abra-se no rosto marcado pela dor, o Sorriso da Vida!
Renove-se a Esperança
Aprofunde-se a Fé em Deus e em nós
homens e mulheres
que este
universo habitam
para que o
milagre da vida aconteça a cada instante.
Que o Amor vença o medo
Que o Amor vença o cansaço
Que o Amor vença as misérias
que atormentam o corpo e a alma
e que nos liberte
de novo
e sempre!
ABrito - 2009