Saturday, May 29, 2010

Entre um abismo e outro


Uma ponte quebrada


Silêncio estéril


Vazio


Abismo...


Mais nada.


ABrito 2010




Procuro alguém que se perdeu

De mim

Alguém que não sei o nome

Nem a cor dos olhos

Corpo vazio

Sem alma...


Procuro alguém

Sem nome

Sem endereço

Sem apreço

Por ninguém

Sem vida...


Procuro alguém

Na escuridão da noite

No vazio do pranto emudecido

Na tempestade das mutiladas lembranças

No abismo do inexplicável...


Procuro alguém

Que se perdeu de si

No insondável mistério

do silêncio mudo

de sua mente insana.


Alguém que não quer se encontrar

E que ninguém jamais

Encontrará.


ABrito 2010


Saturday, April 10, 2010


Sou poema
Sou a pena
Que escreve
Na areia ...
Sou a chama
Que incendeia.
Sou o vento
Que apaga
Sou a brisa
Que acalma
Sou a alma...
Sou coragem
Sou o medo
Sou o segredo
Sou paisagem
Sou abismo
Sou miragem
No deserto de uma vida...
Sou a força
E a fraqueza
Sou chegada
Sou partida
Sou na Vida
Simplesmente
O que Sou.


ABrito 2010


Wednesday, April 7, 2010

...Então não diga nada

Deixe na estrada o que restou do tempo.

Junte os pedaços ...

A vida precisa de espaço

Para renascer,

Para florir outra vez.

Não tente dizer

O que já não faz sentido,

O que nada mais traduz.

Deixe que a solidão da espera

Seja preenchida pela escuridão da noite

Quando todas as estrelas estiverem dormindo

E a lua, cansada, escondida atrás

Das nuvens de poeira

Nada ilumine....

Que seja noite

e que a gente possa,

enfim,

recostar a cabeça no berço do silêncio

e adormecer por um instante.

Não diga nada

Deixe que o sonho

escreva uma nova história.

ABrito 2010



Tuesday, March 9, 2010

“Amizade é o Amor que nunca morre”, mas como tudo que existe, precisa ser cuidada, alimentada, nutrida. Se a negligenciamos, enfraquece e poderá morrer. É o custo que a indiferença nos onera.
Mesmo a boa semente, plantada no melhor terreno, precisa ser cuidada, regada, fertilizada, do contrário fenece antes mesmo de florescer.
O alimento da Amizade é o Amor que se expressa nas palavras, nos gestos, no silêncio, na partilha, na soma das singularidades, na aceitação mútua, no respeito às diferenças.
Amigos poderão estar unidos sempre, mesmo nas mais longas distâncias, mas amizade alguma resiste ao silêncio mudo de uma longa e inexplicavel ausência.
É possível entender e aceitar a ausência de comunicação por um certo período de tempo, mas com o tempo o mutismo vai gerando dúvidas, vai descolorindo o sentimento e aos poucos o Amor vai morrendo, até que evapora e desaparece, inevitavelmente.

ABrito/ 2010

Saturday, February 13, 2010

Esclarecimento:
Não me importo se alguém copia o que eu escrevo,
só exijo que respeitem os direitos autorais não atribuindo a outros e/ou anônimos o que escrevi e assinei, combinado?

Wednesday, February 10, 2010

Colheita Feliz

A Vida nos proporciona oportunidades que nunca se repetem e por isso devemos estar atentos às mesmas, para que não se percam no labirinto da nossa existência.

São muitas as experiências que vivenciamos e muitas as aprendizagens que adquirimos em cada uma delas. Algumas resultam em alegrias e satisfações que guardamos conosco pela vida inteira; outras, no entanto, esquecemos facilmente e outras não esquecemos, mas evitamos relembrar.

Hoje, jogando “Colheita Feliz” recordei momentos de minha vida que não quero esquecer jamais. Momentos de pura alegria e de imensa riqueza. Momentos que ficaram gravados a ouro em minha memória e que tenho certeza contribuíram para o meu aperfeiçoamento humano como tantas outras experiências no seio da minha família e no convívio com os meus amigos e amigas de infância, adolescência e juventude.

As pequenas coisas, os mais simples e mais sutis gestos de amor e de solidariedade me encantam e me enchem de verdadeira alegria. Fico para sempre agradecida quando percebo e sinto nas atitudes mais simples das pessoas a gratuidade e gentileza que só o Amor pode nos proporcionar. E nesse sentido tenho tantas boas memórias!

Ao jogar o “Colheita Feliz” recordei pessoas com as quais partilhei momentos inesquecíveis , momentos simples e de uma beleza infinita. O cenário, a casa da minha prima Chaguinha, no Sítio Poço dos Cavalos onde eu sempre passava as minhas férias. Uma pessoa tão querida, mais, muito mais que uma prima, uma irmã, uma mãe, uma amiga, uma mestra. Uma casa cheia de crianças, a Vovó sempre por lá com suas histórias engraçadas, seu cachimbo sempre limpinho e sua xícara de café quase sempre cheia, ou sentada numa cadeira no alpendre da casa, com aquele seu olhar às vezes absorto, como que querendo trazer de volta um passado já distante.

Havia também ali a minha prima Lindóia, uma pessoa muito amada, linda, talvez a pessoa mais tranqüila que encontrei até hoje; a Zezinha, a Babil a Dona Julieta, o Francisco o cawbói que paquerava todas as meninas acima de dez anos, o Tutuá, marido da Chaguinha as onze crianças que geraram e muitas outras pessoas que faziam daquele lugar um verdadeiro oásis de paz e de vida.

Quase todas as tardes após o almoço nós ficávamos, Chaguinha, Lindóia e Eu, sentadas em volta da mesa brincando de “fazendeiras”, comprando e vendendo vacas e bois, uma alegria só.

Lembro o cheiro do “leite ferrado” com mastruz e ‘ipepaconha” (era assim que a gente chamava, até hoje não sei o verdadeiro nome daquela erva), do queijo feito ali mesmo, dos melões, da terra molhada pela chuva, dos banhos na barragem, do sabor das mangas fresquinhas que colhíamos “no pé”, enfim, da vida que brotava e florescia em cada recanto daquele paraíso.

Foi assim dos meus 7 aos 14 anos, todos os anos eu estava lá. Entre essas memórias existem muitas outras e muitas outras mais, inesquecíveis igualmente.

Mas o tempo passou e as opções que fiz na vida me distanciaram daquele lugar e daquelas pessoas amadas que tanto bem me fizeram. Mas a distância é apenas física, pois no meu coração e na minha memória essas felizes experiências nunca se apagaram e sou imensamente agradecida a Deus por Ele ter me proporcionado tudo isso.

Sinto saudades e sei que jamais viveremos o mesmo da mesma forma, mesmo que nos encontremos no mesmo lugar, porém o que foi vivenciado é relembrado sempre na exata forma como aconteceu. Foi a mais linda e mais “Feliz Colheita” que fizemos!

ABrito - New York - 10/02/2010

Saturday, January 30, 2010

Paz...

A gente quer a Paz

Porem nem sempre somos Paz.

Vida...

A gente quer viver

Porem nem sempre se vive

como se quer viver.

Felicidade...

A gente quer ser Feliz

porem, às vezes esquece, quer para ser feliz

fazer feliz necessario é.

Amor...

Amados todos queremos ser

porem nem sempre amamos quem mais amado deveria ser.

Sucesso...

muitos querem alcançar

mas trabalhar...nem sempre.

Realização...

tambem se quer buscar

porem as vezes nem se sabe o quê.

Palavras, Palavras, Palavras!

E o vento sorrateiro as varre

por nao encontrar nelas sentido algum.

E a gente vai vivendo

Um a Um

entre sonhos azuis e

laços cor-de-rosa.

ABrito-2010

Saturday, January 23, 2010

Nada ficou, alem da noite escura

e das nuvens cinzentas.

A lua que desenhei

com o gelo que a ausência espalhou no árido chão

não brilhava como as tantas que vi nascer.

Recolhi os pedaços dos sonhos

e à última flor

contei os meus segredos,

antes de atirá-la ao vento.

Já não se ouvia a canção

das estrelas

nem o sorriso iluminado do sol apareceu.

Tudo se perdeu

no vazio da noite

que nunca teve fim.

As cinzas do poema

embaçaram meu olhar

e nada consegui ver

ou escrever...

Já nem caderno há,

nem nome pra riscar,

o tempo que passou soprou o chão

as palavras se desmancharam

e as lembranças também se perderam.

...Enfim percebi que eu podia voar!

by ABrito

(ao amigo que reaprendeu a recomeçar.)

Tuesday, January 19, 2010

PALAVRAS

Palavras não dizem tudo

Quando tentam dizer, nada dizem...

O essencial em geral está por trás delas

ou nas entrelinhas invisíveis do não dito.

Palavras quase sempre estragam a mágica beleza do silêncio...

Prefiro a linguagem do olhar

Silenciosa e sábia; plena e lúcida.

Palavras, ferem.

A eloquência do silêncio, cura.

Somente quem aprende a ver o que as palavras não dizem

é capaz de conhecer e de Amar.

ABrito

SILÊNCIOS

De silêncios se veste a minha Alma

Silêncios de todas as cores (silêncios, se silêncios, tem cor)

Azul, quando relembra os sorriso dados e recebidos

Verde, quando os encontros são recordados, como fotografias perfeitas de momentos inesquecíveis.

Roxo, ao lembrar os desencontros e as longas e intermináveis esperas...

Cinza, ao sentir de novo a morna lágrima descida, feito rio, no rosto marcado pela dor..

Marrom, ao recolher os pedaços do coração atingido pela indiferença.

Amarelo, quando de novo sente as angustias das frustrações e das perdas

Laranja, ao contemplar feliz as tantas alegrias vividas e partilhadas

Vermelho, ao sentir o pulsar da Vida renovando-se a cada instante

e de novo Azul, sua preferida cor, ao sentir-se amada, plena, transbordando Amor.

Minha Alma pinta a minha vida, quase sempre de Azul, Verde, Laranja e Vermelho

e os seus silêncios, como notas tocadas pelo vento,

fazem dançar felizes as ondas do mar,

a lua e as estrelas do Céu Azul que lhe revestem e lhe alimentam!

ABrito

Sunday, December 27, 2009

O tempo passa mais rápido do que às vezes queremos… alguns dias bem que poderiam ser mais longos; outros, nem tanto. Mas o fato é que o tempo está passando rápido demais. Um dia desses desejávamos Feliz 2009, e na ocasião não fazíamos a menor idéia do que iria acontecer durante o ano. Cada novo ano é assim, nunca sabemos como vai ser e sempre desejamos que seja o melhor de todos!

Eu gostei do ano que ora termina. Foi um bom ano, apesar da minha agonia com o meu visto se vencendo… Graças a Deus na véspera do Natal recebi a extensão do mesmo. Nada pior do que pensar na possibilidade de ficar ilegal num País estrangeiro… redundante esta minha afirmação, pois não se fica ilegal no País de origem. No País de origem fazemos coisas ilegais, mas como ilustres cidadãos!

Conheci novas pessoas, novos lugares, vi muita coisa bonita de se ver, realizei alguns sonhos como ver o Fantasma da Ópera na Broadway , mais uma vez o Show de Natal no Radio City e mais uma apresentação do Circo de Soleil entre outras coisinhas mais. Porém nada foi melhor, mais festivo e mais feliz do que reencontrar a família e os amigos nas cinco semanas de férias que gozei no meu País e mais ainda, a Celebração dos 80 anos de minha Mãe e dos meus 50 anos, em Caicó, com toda a minha família e com amigos muito especiais os quais eu não havia me encontrado há anos. Outra alegria imensa foi, na mesma ocasião, conhecer minha mais nova sobrinha, a Luisa. Alegrias assim não imensuráveis e alimentam a alma da gente a vida inteira.

Agora é esperar 2010 e acolhê-lo com a mesma vontade de que seja um ano bom. E além do desejo de que seja bom, o firme propósito de torná-lo um ano bom. Tudo que há por vir virá em consequência de nossas ações e das ações das outras pessoas. Não basta termos boas intenções, o desejo só também não basta. É preciso, antes de qualquer coisa, querer algo novo, diferente, saudável, feliz e se dispor a agir de forma a realizar os desejos e sonhos. Ou, não fazer nada e nada de novo ver acontecer como se quer e assim, aceitar perder o direito de reivindicar.

Depende de cada um e cada um significa muito!

Desejo mesmo é que tenhamos saúde e lucidez para criarmos oportunidades e aproveitar as oportunidades para realizarmos o melhor para o mundo inteiro. Luz para enxergarmos os caminhos e os atalhos que encurtem as distâncias entre nós. Para a distância geográfica há soluções, mas para as distâncias que dividem as pessoas e nos tornam estranhos uns para os outros, ainda precisam ser procuradas. E é urgente que isso aconteça.

Desejo também que nos libertemos dos sentimentos mesquinhos que nos tornam pequenos e aprendamos a conviver com a diferença, a respeitar as idéias de cada um e suas opções de vida, sem ter que julgar ou condenar quem quer que seja. Aprender a buscar a unidade na diversidade, compreendendo que o que o outro é ou faz não anula o que somos e fazemos. Somos únicos, porém necessitamos da singularidade do outro para que a sinfonia da vida esteja completa.

Feliz Ano Novo. Que Deus abençoe a todos e a cada um de nós!

ABrito, NY, Dez 2009

Saturday, December 26, 2009

Há dois mil anos, quando Jesus nascia em Belém, seus Pais não encontraram, nas hospedarias da cidade, um lugar onde Maria pudesse trazer à luz o seu Filho.

Não havia lugar para o Menino-Jesus no mundo sócio-politico-religioso daquela época. Apenas numa estrebaria nos arredores da pequena cidade seus pais encontraram um lugar aconchegante para acolhê-lo.

Talvez se as pessoas soubessem quem era Jesus, alguém tivesse oferecido a suíte real da melhor hospedaria. Mas, não era isso que Jesus precisava ou queria. Ele queria mesmo nascer, estar entre seus conterrâneos, aprender a cultura de sua gente, partilhar a vida e os costumes de sua pátria aqui na terra.

E foi ali, naquele lugar simples, desprovido de realeza que o Rei pode contemplar pela primeira vez o rosto da humanidade à qual assumia naquele mágico momento.

Tamanha foi à alegria dos pastores ao perceberem que na escuridão daquela noite fria uma Luz, nunca antes vista, brilhava ao som da melodiosa canção dos anjos.

E chegaram os Reis do Oriente com presentes para o Rei dos reis...

Passados tantos anos a pergunta continua a mesma: Há lugar para o Menino-Jesus, cujo Natal celebramos com tanta divulgação e festa, no atual contexto sócio-político-religioso? Há lugar para o Menino-Jesus na vida de cada um de nós? Estamos preparados para receber em nosso meio o Messias? Estamos dispostos a acolher a Sua mensagem e assumir em nossa vida a proposta que Ele nos trouxe? Estamos preparados para acolhê-lo na pessoa de cada irmão, independentemente de sua raça, posição sócio-cultural, estilo de vida, crença, ideologia, enfim, diferente e único em seu modo de ser e de viver? Estamos dispostos a nos tornar discípulos do Mestre?

Ainda há tempo...Podemos assumir uma nova atitude ou assumir a postura do dono da hospedaria e dizer a quem nos procura: “Deixe-me em paz, não há mais lugar”. A Escolha é nossa.

ABrito - 2009, na mahã do Natal

Thursday, December 24, 2009

Feliz Natal...

Brilhem as
Estrelas

Cantem os
Pássaros

Saim dos
casulos as borboletas e voem felizes !

Abram-se as fronteiras

Cessem as guerras

Voltem ao lar os exilados

É Natal!

Abracem-se os Amigos

Estendam-se
Mãos ao encontro de outras Mãos

Abra-se no rosto marcado pela dor, o Sorriso da Vida!

Renove-se a Esperança

Aprofunde-se a Fé em Deus e em nós
homens e mulheres

que este
universo habitam

para que o
milagre da vida aconteça a cada instante.

Que o Amor vença o medo

Que o Amor vença o cansaço

Que o Amor vença as misérias

que atormentam o corpo e a alma

e que nos liberte

de novo

e sempre!



ABrito - 2009